Turma de Licenciatura Plena em Geografia EAD 2013- Uniube

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Geografia Uniube EAD 2013

sábado, 25 de junho de 2011

Evolução do Pensamento Geográfico

A Geografia nasceu no final do século XIX, comprometida com a ideologia imperalista dominante na época. Era ciência e filosofia que teorizava e justificava o colonianismo, com novas conquistas territoriais (políticas e econômicas).
Esta , Geografia Clássica, nascida com os primeiros geógrafos modernos importantes – como Ritter, Humboldt, Brun -, e seguida pelos “fundadores” da ciência geográfica – La Blache, Ratzel, Brunhes -, tinha em comum o fato de todos os seus grandes nomes serem “principistas”, isto é, procuravam princípios gerais que dessem cientificidade à geografia, como ponto de partida de seus trabalhos. Foram influenciados por grandes pensadores como Kant (Construtivismo), Descartes (Racionalismo), Comte (Positivismo), Darwin (Evolucionismo), Spencer (Organicismo), Newton (Mecanicismo), Hegel (Idealismo), Marx (Materialismo Histórico), entre outros. Por exemplo, Hegel, com sua dialética idealista, influenciou o trabalho de Ritter e Ratzel (“Escola Alemã”), enquanto Marx, com sua Dialética baseada no Materialismo Histórico, influenciou também Ratzel, La Blache e Jean Brunhes (“Escolas Alemã e Francesa”).
A Geografia Regional tratava o espaço como abstrato e absoluto, não relacional; a Geografia Geral Clássica tratava o espaço como relativo, através de princípios, não levando em conta a historicização (teoria x epistemologia). A Ecologia Humana (Urbana) separava o homem da natureza, pois se utilizava da natureza “primária”, e não da natureza “socializada”. A Geografia Cultural (Regional) isolava os locais e definia as construções humanas como resultados diretos da cultura de seus habitantes. Hoje, ambas estão superadas! Com isto, a Geografia Clássica, de seu nascedouro aos meados do século XX, com o Determinismo geográfico, o Possibilismo (Região, Gênero de vida) e as “áreas culturais”, ofereceu-nos noções “positivistas” da realidade, pois eram mecanicistas, causais e analógicas às ciências naturais.
Milton Santos critica o regionalismo geográfico, pois entende o mundo como um sistema único, com partes interdependentes (e isto se acentua com o avanço da tecnologia e da ciência). Porém, defende o localismo cultural, pois os cotidianos (modos de vida) locais não deveriam sucumbir àqueles impostos “de fora”, através do poder do capital, que tira a solidariedade das pessoas.
A Nova Geografia (“New Geography”), surgida após a Segunda Guerra Mundial, foi fruto das novas tecnologias (como a automação), das novas necessidades (e dos novos usos) criados com a guerra. De certa forma, mesmo o objeto geográfico mudou, pois as tradicionais “Escolas Nacionais” que geravam pensamentos globais e individualizados cederam lugar à difusão de estudos “locacionais” (pelo poder econômico e político anglo-saxão, principalmente), cujo método era objetivo, com o uso da Matemática, Informática, Probabilidade. “... Isso dotou a pesquisa de meios que... deviam permitir uma definição mais exata das realidades, ensejando chegar assim à postulação de leis cuja pertinência pode, todavia, ser discutida”. (Milton Santos).
Segundo Paulo Cesar da Costa Gomes, em sua obra Geografia e Modernidade, foi essencial o conhecimento anteriormente produzido para gerar a geografia moderna, ou seja, a geografia científica, que se iniciou nas sistematizações realizadas por Humboldt e Ritter, na primeira metade do século XIX.Até o século XVIII, a geografia (não científica) procurava trabalhar com temas gerais, cosmográficos, inserindo a Terra no universo e tentando conhecê-la e decifrá-la. E, até o século XIX, faziam-se também trabalhos descritivos, empíricos. Esta dicotomia de abordagens (e métodos) entre a geografia geral ou nomotética (sistemática, “matematizada”) e a geografia regional ou idiográfica (empírica-descritiva, “histórica”) advém desde a Antigüidade na geografia: “a tradição geográfica anterior ao advento da ciência moderna é também interpretada, utilizando esta mesma dualidade entre um saber racionalista, geral e objetivo e um outro que repousa sobre a descrição do particular.” (Paulo C. Gomes). Paulo Cesar destaca, ainda, outras dicotomias na geografia (que abrangem também outras ciências), como a separação entre o homem e a natureza, e as distintas formas de pensar (teoria) e de fazer (método) a geografia.Paulo Cesar ressalta a importância dos “filósofos precursores” da geografia moderna, Kant e Herder. Kant reconhecia dualidades no “mundo real” entre a abordagem geral, mais teórica, e a abordagem local, mais prática, na geografia, bem como os aspectos distintos entre o ser humano e a natureza, advindo daí as formas diferentes de abordagem científica (porém, não priorizava nenhum dos “lados”, sabendo da unicidade do “mundo real”). Herder ressaltava a importância cultural dos povos, opondo-se radicalmente às idéias de progresso, de ciência racional e de universalismo da razão; influenciou a moderna Hermenêutica.
No início do século XIX, Alexander von Humboldt trabalhava com um método próprio: o da observação da natureza e posterior reflexão (indução), para apreendê-la em seu conjunto, num esforço de síntese e sistematização rigorosa e formal, característica de sua época. O outro “fundador” da geografia moderna e científica, Carl Ritter, também “pretendia estabelecer as novas bases de um saber organizado e metodologicamente rigoroso.” (Paulo C. Gomes). Ambos viam na unicidade humanidade-natureza as bases de seus estudos, sendo que Ritter era mais “histórico”, enquanto Humboldt mais “naturalista”, fundados no Racionalismo e no romantismo (humanismo).
No final do século XIX, para “reconhecer-se” como ciência, a geografia precisava de “cientificidade”. O Racionalismo científico geral à época gerou, então, o determinismo geográfico, atribuído sobretudo a Friedrich Ratzel: “por intermédio do discurso da biologia evolucionista, Ratzel deu uma perspectiva rigorosa, objetiva e geral à geografia, permitindo-lhe, portanto, ascender ao ranking das ciências positivas modernas. (...) O veio racionalista foi o principal fator na recusa de Ratzel ao “romantismo e idealismo” na geografia, que ele identificava a Ritter e à sua concepção de organismo inspirada diretamente no Romantismo.” (Paulo C. Gomes).

Após a Segunda Guerra Mundial, as monografias descritivas em geografia (herdadas do pensamento de La Blache) não eram mais suficientes: surgiu o positivismo crítico, uma retomada do Racionalismo, que repudiava todo tipo metafísica, como o subjetivismo, a vontade e a intuição do espírito. O pragmatismo norte-americano, o culturalismo de Sauer, o método regional de Hartshorne e a crítica racionalista de Schaefer foram os primeiros passos para uma mudança paradigmática na geografia em meados do século XX.A lógica formal – a filosofia analítica – que afetou a geografia durante o século XX (“o horizonte lógico-formal na geografia moderna”), teve origem na visualização do homem da possibilidade de realizar-se uma experiência científica sintética, utilizando-se de um modelo matemático para o conhecimento. O procedimento analítico associado ao método lógico funda o movimento da filosofia analítica. Houve uma valorização da matematização como novo paradigma científico, com a universalização dos procedimentos e a unificação do método.
A Nova Geografia, que pretendia ser uma corrente pragmática e objetiva, utilizou-se desse novo método, rompendo com a “Geografia Clássica”, tentando legitimá-la enquanto ciência. E este novo modelo produziu uma nova síntese, cujo objeto fundamental da geografia passou a ser a análise espacial, utilizando-se do método sistêmico, que permitia a explicação “científica” dos fenômenos, o que gerou um neodeterminismo científico. Era, porém, ideológica e “alienante”: “estas abordagens privilegiaram uma descrição minuciosa e uma explicação naturalista, sem que houvesse uma verdadeira preocupação de explicação das estruturas sociais e em que as relações de produção estão sempre ausentes.”(Paulo C. Gomes).

A crítica radical na geografia, paradigma principal que desde os anos setenta vem sendo trabalhado (Geografia Crítica), a partir essencialmente do Marxismo, é moderna, pois se fundamenta em um sistema lógico, racional e de determinações objetivas, o materialismo histórico e dialético, que busca na essência a explicação do caos aparente (com a participação ativa do cientista). Henri Lefebvre, Yves Lacoste e David Harvey estão entre os seus maiores expoentes.
Cesar fez uma análise da evolução da geografia (e do pensamento geográfico) inserida na perspectiva de Modernidade (epistemologicamente bipolarizada entre Racionalismo e subjetivismo), e relacionou as mudanças desta última às transformações históricas na ciência geográfica. Por fim, contesta o advento da pós-modernidade, visto que o Racionalismo das rupturas e revoluções (de toda ordem) permanecem no desenvolvimento da História. A Geografia teve e ainda tem, durante o seu desenvolvimento, alguns paradigmas principais, que norteiam a produção científica dos geógrafos ao longo do tempo. Partem dos métodos de interpretação da realidade de cada cientista. São eles: Geografia Clássica, “tradicional” e positivista, praticada sobretudo até meados deste século, bipolarizada em Determinismo e Possibilismo; Geografia do Método Regional, positivista, do início do século XX; Geografia Teorética e Quantitativa, ou “Nova Geografia”, neopositivista, principalmente dos anos 50 a 70 do corrente; Geografia Crítica, utilizando-se do Materialismo Histórico Dialético, ou somente da Dialética, para entender e atuar socialmente no cotidiano - sobretudo urbano -, surgida a partir dos anos 70; e finalmente, a Geografia Humanística, baseada no homem e em seus aspectos psicológicos, representada por correntes como o Existencialismo e a Fenomenologia, a
partir de meados dos anos 70 - não é considerada ainda um paradigma “completo”. Além destes paradigmas, outras correntes filosóficas estiveram envolvidas no trabalho geográfico, e surgem novas abordagens e métodos com o passar do tempo histórico. Também o tempo de divulgação das novas idéias por distintos territórios varia de acordo com a técnica informacional que se tem à disposição.

(GEOSANTOS)

Evolução do Pensamento Geográfico (RESUMO)

A Geografia nasceu ao final do século XIX, comprometida com a ideologia imperalista dominante na época. Era ciência e filosofia que teorizava e justificava o colonismo, com novas conquistas territoriais (políticas e econômicas). Esta geografia clássica tinha em comum o fato de todos seus grandes nomes serem “principistas”, isto é, procuravam princípios gerais que dessem cientificidade à geografia, como ponto de partida de seus trabalhos.

Foram influenciados por grandes pensadores como Kant (Construtivismo), Descarte (Racionalismo), Comte (Positivismo), Darwin (Evolucionista), Spencer (Organicismo), Newton (Mecanismos), Hegel (Idealismo), Marx ( Materialismo), entre outros.
A Geografia Regional tratava o espaço como abstrato e absoluto, não relacional; a Geografia Geral Clássica tratava o espaço como relativo, através de princípios, não levando em conta a historização. A Geografia Humana (Urbana) separava o homem da natureza “socializada”. A Geografia Cultural (Regional) isolava os locais e definia as construções humanas como resultados direitos da cultura de seus habitantes.
A Nova Geografia, surgida após a Segunda Guerra Mundial, foi fruto das tecnologias (como a automação), das novas necessidades (e de novos usos) criados com a guerra. De certa forma, mesmo objeto geográfico mudou, cujo método era objetivo, com uso da matemática, informática e probabilidade, ensejando chegar assim à postulação de leis cuja pertinência pode, todavia, ser discutida.
No início do século XIX,Alexander Von Humboldt trabalhava com um método próprio: o da observação da natureza e posterior reflexão (indução), para apreendê-la em seu conjunto, num espaço de síntese e sistematização rigorosa e formal, característica de sua época. O outro “fundador” da Geografia Moderna e Científica, Carl Ritter, também pretendia estabelecer as novas bases de um saber organizado e metodologicamente rigoroso”.
No final do século XIX, para “reconhecer-se” como ciência, a Geografia precisava de “cientificidade”. O racionalismo científico geral à época gerou, então o determinismo geográfico, atribuído sobretudo a rigorosa, objetiva e geral à Geografia, permitindo-lhe, portanto, ascender o ranking das ciências positivas modernas.
Após a Segunda Guerra Mundial, as monografias descritivas em Geografia (herdadas do pensamento de La Blache) não eram mais suficientes: surgiu o positivismo crítico, uma retomada do racionalismo, que repudiava todo tipo metafísica, como o subjetivismo, a vontade e a intuição do espírito.
A lógica-formal – a filosofia analítica – que afetou a geografia durante o século XX, teve origem na visualização do homem da possibilidade de realizar-se uma experiência ciêntifica sintética, utilizando-se de um modelo matemático para o conhecimento. Houve valorização da matematização como novo paradigma ciêntífico, com a universialização dos procedimentos e a unificação do método.
A Nova Geografia, que pretendia ser uma corrente pragmática e objetiva, utilizou-se desse novo método, rompendo com a Geografia Clássica, tentando legitimá-la enquanto ciência. E este novo modelo produziu uma nova síntese, cujo objeto fundamental da geografia passou a ser a análise espacial, utilizando-se do método sistêmico, que permita a explicação “ciênífica” dos fenômenos, o que gerou um neodeterminismo científico.
A Crítica Radical na Geografia, paradigma principal que desde os anos 70 vem sendo trabalhado (Geografia Crítica), a partir essencialmente do Marxismo, é moderna, pois se fundamenta em um sistema lógico, racional e de essência a explicação do caos aparente. Henri Lefebure, Yves Lacoste e David Harvey estão entre os seus maiores expoentes.
Uma análise da evolução da Geografia ( e do Pensamento Geográfico) inserida na perspectiva de modernidade, e relacionou as mudanças desta última às tranformações históricas na ciência geográfica. Por fim, contesta o advento da pós-modernidade, visto que o relacionamento das rupturas e revoluções (de toda ordem) permanecem no desenvolvimento da História.

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