Turma de Licenciatura Plena em Geografia EAD 2013- Uniube

Turma de Licenciatura Plena em Geografia EAD 2013- Uniube
Geografia Uniube EAD 2013

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O que é WebQuest?

A WebQuest é uma atividade didática para os ensinos Fundamental, Médio e Superior para incluir nas aulas a Internet, em especial a busca de informação na Rede. Pode desenvolver o pensamento reflexivo e crítico dos alunos, como também estimular a sua criatividade.

O principal objetivo da WebQuest é desenvolver a pesquisa dos alunos em sites da Internet com critérios e perguntas especificadas pelos professores. A busca pode ser realizada em grupos ou individualmente, conforme o tempo disponível, o tema curricular abordado e a idade dos alunos. Contudo, é importante ressaltar que apresenta melhores resultados se realizada em grupos.
Pelas WebQuests, propõem-se aos alunos a resolução de um determinado problema e, ao finalizar a tarefa, eles expõem de algum modo suas conclusões. Os estudantes simulam um papel, por exemplo, ser jornalista para investigar a crise energética que afeta uma região.

Como surgiuA metodologia de trabalho denominada WebQuest foi proposta pelo professor Bernie Dodge, da San Diego State University (EUA), em 1995.
Desse modo, as WebQuests utilizam problemas ou situações do mundo real e tarefas autênticas para despertar o interesse dos alunos. Sua base teórica é construtivista, o que permite aos alunos transformar a informação e compreendê-la. Suas estratégias de aprendizagem colaborativa ajudam os estudantes a desenvolver habilidades e a contribuir com o produto final do grupo, que pode ser uma produção escrita, oral ou eletrônica, uma obra teatral, um jornal escolar e um material de divulgação, entre outros.

Podemos distinguir seis elementos em uma Webquest:
Introdução: apresenta as informações básicas aos alunos, orientando-os sobre o que vão encontrar na atividade proposta. Além disso, tem como objetivo despertar o interesse deles para realizar o trabalho, isto é, motivá-los para começar.
Tarefa: descreve o que os alunos deverão elaborar ao finalizar o trabalho. Os projetos podem ser uma página Web, uma apresentação em PowerPoint ou uma exposição oral do tema trabalhado (de acordo com o que o professor planejou).
Processo: especifica os passos que os alunos devem fazer para concretização da tarefa, incluindo orientações sobre como subdividir as tarefas, detalhes dos papéis que podem assumir cada um dos alunos e estratégias de trabalho.
Recursos: disponibiliza aos alunos uma lista de sites Web a serem consultados para a realização do trabalho. Previamente, o professor tem que verificar se esses sites são confiáveis e estão atualizados de acordo com o tema em questão. Essa seleção de sites facilita a navegação pela rede e evita desvios do tema central. Podem ser incluídos outros recursos que não sejam da Internet.
Avaliação: nessa parte, são explicados os critérios que serão utilizados na avaliação do trabalho.

Conclusão: corresponde à finalização da atividade. Apresenta um resumo que leva à reflexão da atividade para reconhecer o que foi aprendido.

Orientações para construção de uma WebQuest
A proposta de trabalho de uma WebQuest implica certas considerações por parte dos professores para a sua construção:
Tempo
- Qual é o tempo que podemos dedicar para atividade?
- Quanto tempo estimamos para cada etapa da atividade?

Recursos - Dispomos de computadores necessários na escola?
- Possuímos conexão com Internet?
- Os alunos possuem computadores em suas casas?

Participantes
- Qual a idade dos alunos? Quantos são?

Organização
- É mais proveitoso que o trabalho seja realizado individualmente ou em grupo?
- Qual será o número de integrantes de cada grupo?

Temática
- Que tema do currículo queremos ensinar?
- Trabalhamos só com conteúdos de nossa disciplina ou realizaremos um trabalho interdisciplinar?

Atividade
- Construíremos essa atividade para:
dar início a um novo tema, avaliar o progresso dos estudantes na aprendizagem de um tema já apresentado ou articular uma seqüência de conteúdos que trabalhamos?

Informação- Na seleção do material para os alunos trabalharem, levamos em conta os critérios de validação de informação da Web?

ExposiçãoDe que maneira queremos que, na finalização da atividade, os estudantes apresentem seus aprendizados?

Existem várias WebQuest já construídas na Web, e você também pode construir a sua. Confira algumas sugestões de sites sobre WebQuest:
Webquest Aprendendo na Internethttp://www.webquest.futuro.usp.br

Senac Webquest
http://webquest.sp.senac.br

Uma webquest sobre webquesthttp://www.vivenciapedagogica.com.br/webquest/equipe

Wikipédia – Webquest
http://pt.wikipedia.org/wiki/webquest

PHP Webquest - ferramenta para criar WebQuesthttp://www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/index.php

Instant WebQuest - site para criar e hospedar WebQuest (em inglês)
http://www.instantprojects.org/webquest/main.php

As melhores webquests (em inglês)
http://bestwebquests.com/


A Dimensão do Uso das TICs na Educação Brasileira

O espaço Impacto da Pedagógica Moderna faz deste, o segundo artigo de uma série, sobre as TICs na Educação. Antes, porém de expor essas ferramentas, como usá-las e a eficácia no processo de ensino/aprendizagem, é muito importante conhecer a realidade brasileira, as legislações, ás políticas públicas e a acessibilidade que os indivíduos, as escolas, principalmente as escolas públicas, tem ás tecnologias de comunicação e informação.

Rodiney Marcelo, Colunista do Brasil Escola, inicia suas colocações sobre o uso das TICs na educação abordando a Educação á Distância, o que é se torna um bom ponto de partida.
“As mídias surgem como mediatizadoras, assumindo papel de informação e comunicação. O uso das mídias educacionais trabalhadas de forma integrada vem nortear a inserção dos sujeitos envolvidos no cenário atual, sociedade tecnológica, além de que viabiliza o processo de formação na modalidade à distância. O acesso aos meios disponibilizados no espaço de EAD (Ensino á Distância) deve ter como princípio à atuação efetiva do sujeito envolvido no processo de ensino-aprendizagem considerando os recursos tecnológicos utilizados como meio de formação para a construção do conhecimento de um sujeito social, comprometido com o processo, ou seja, protagonista de sua própria caminhada em busca da aprendizagem, dando significado ao conhecimento construído”



Educação à distância (EaD), também chamada de teleducação, como modalidade de ensino que permite que o aluno não esteja fisicamente presente em um ambiente formal de ensino-aprendizagem, assim como, permite também que faça seu autoestudo em tempo distinto.
A interligação (conexão) entre professor e aluno se dá por meio de tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet, em especial as hipermídias, mas também pode ser utilizado o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, CD-ROM, o telefone, o fax, o celular, o iPoid, o notebook, entre outras tecnologias semelhantes.
Na expressão ensino à distância a ênfase é dada ao papel do professor (como alguém que ensina a distância). O termo educação é preferido por ser mais abrangente, embora nenhuma das expressões, segundo o professor, seja plenamente completa.

No Brasil a Educação á Distancia teve seu início a partir de 1939 através do Rádio várias iniciativas em São Paulo e o Rio de Janeiro. Um dos primeiros modelos de teleducação para ensino fundamental e ensino médio (educação supletiva á distância), aconteceu na década de 1970, com a Fundação Roberto Marinho, com aula via satélite e complementadas por kits de materiais impressos. Ficando marcada, assim a segunda geração de EAD no Brasil. Grande parte das Instituições de Ensino Superior brasileiras fez uso de novas tecnologias da comunicação e informação somente a partir de 1990.

Em 1994 começa a expansão da internet no nível universitário, e dois anos depois surge a legislação específica: A Secretaria de Educação a Distância – SEED – Decreto nº 1.917, de 27 de maio de 1996, e neste mesmo ano estreou do canal TV Escola e a apresentação do documento-base do “programa Informática na Educação”, na III Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Educação (CONSED), lançado oficialmente, em 1997, o Proinfo – Programa Nacional de Informática na Educação – com laboratórios de computadores para as escolas públicas urbanas e rurais de ensino básico de todo o Brasil. Há ainda Telecurso 2000, o programa de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, o Unirede, que envolve mais de 60 universidades públicas, entre outras iniciativas. TV escola, Telecurso 2000, o programa de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, o Unirede, que envolve mais de 60 universidades, além dos programas do Ministério da Cultura para interligação das bibliotecas públicas municipais e do grande projeto de informatização do acervo da Biblioteca Nacional, que até agora atingiu cerca de 700 mil registros, para um total de 8,5 milhões de peças.




A TV Escola é um canal de televisão brasileiro via satélite, por antena parabólica, com o intuito de promover a capacitação e atualização permanente dos professores do Brasil. Criado em 1995, foi ao ar no ano seguinte. Em 2003 a TV Escola realizou uma das primeiras transmissões de TV digital por IP, através de um projeto experimental denominado TV Escola Digital Interativa (TVEDI).
A TV Escola exibe 24 horas diárias de séries e programas educativos, que estão divididos em cinco faixas temáticas, que recebem os nomes: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Salto para o Futuro e Escola Aberta; bem como três programas de cursos de língua estrangeira: inglês, espanhol, e francês. Todos os programas produzidos pela TV Escola são distribuídos gratuitamente pela internet, mas o mesmo não ocorre com as premiadas séries internacionais que também são exibidas pelo canal, como por exemplo, La Legende des Sciences, de Michel Serres e Robert Pansard-Besson. Dentre elas, pode-se a série Cosmos, de Carl Sagan, a produção francesa Espaçonave Terra, bem como as séries.

A legislação da EaD, no Brasil, em resumo, trata do ensino fundamental e médio, educação para jovens e adultos, educação profissional de nível técnico e superior dispõe que: as bases legais para a modalidade de educação a distância foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996). A. EDUCAÇÃO BÁSICA na modalidade de Educação a Distância- De acordo com o Art. 30º do Decreto n.º 5.622/05, "As instituições credenciadas para a oferta de educação a distância poderão solicitar autorização, junto aos órgãos normativos dos respectivos sistemas de ensino, para oferecer os ensinos fundamentais e médios a distância, conforme § 4o do art. 32 da Lei no 9.394, de 1996, exclusivamente para:
I - a complementação de aprendizagem; ou
II - em situações emergenciais.
.
Á educação fundamental de jovens e adultos, ensino médio e educação profissional de nível técnico, o Decreto n.º 5.622/05 delegou competência às autoridades integrantes dos sistemas de ensino de que trata o artigo 8º da LDB, para promover os atos de credenciamento de instituições localizadas no âmbito de suas respectivas atribuições Assim, as propostas de cursos nesses níveis deverão ser encaminhadas ao órgão do sistema municipal ou estadual responsável pelo credenciamento de instituições e autorização de cursos (de nível Conselhos Estaduais de Educação) - a menos que se trate de instituição vinculada ao sistema federal de ensino, quando, então, o credenciamento deverá ser feito pelo Ministério da Educação.
Educação Superior e Educação Profissional na modalidade de Educação a Distância: a oferta de cursos de graduação e educação profissional em nível tecnológico, a instituição interessada deve credenciar-se junto ao Ministério da Educação, solicitando, para isto, a autorização de funcionamento para cada curso que pretenda oferecer. O processo será analisado na Secretaria de Educação Superior, por uma Comissão de Especialistas na área do curso em questão e por especialistas em educação a distância. O Parecer dessa Comissão será encaminhado ao Conselho Nacional de Educação. O trâmite, portanto, é o mesmo aplicável aos cursos presenciais. A qualidade do projeto da instituição será o foco principal da análise. Para orientar a elaboração de um projeto de curso de graduação a distância, a Secretaria de Educação a Distância elaborou o documento Indicadores de qualidade para cursos de graduação a distância, disponível no site do Ministério para consulta. As bases legais são as indicadas no primeiro parágrafo deste texto.
Pós-graduação a distância: a possibilidade de cursos de mestrado, doutorado e especialização a distância foi disciplinada pelo Capítulo V do Decreto n.º 5.622/05 e pela Resolução nº 01, da Câmara de Ensino Superior-CES, do Conselho Nacional de Educação-CNE, em 3 de abril de 2001. os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) a distância serão oferecidos exclusivamente por instituições credenciadas para tal fim pela União e obedecem às exigências de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento estabelecido no referido Decreto.
No artigo 11, a Resolução nº 1, de 2001, também conforme o disposto no § 1º do art. 80 da Lei nº 9.394/96, de 1996, estabelece que os cursos de pós-graduação lato sensu a distância só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União.
Os cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos a distância deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso.
No próximo seguimento se propõe tratar de um Programa do MEC que ganha destaque por sua abrangência, por seus objetivos e pelos resultados, que já foram constados e que estão mais próximo e acessível ás escolas públicas brasileiras: o PROINFO.




PROINFO



Sendo imperativa a criação de políticas públicas para o desenvolvimento tecnológico, da educação e para promover a inclusão digital o Ministério da Educação tem criado vários projetos, dentre eles o PROINFO (1977) (Programa nacional de Informática na educação) idealizado com a finalidade de disseminar as novas tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas públicas nacionais, tanto de ensino médio quanto de fundamental, como ferramenta de apoio ao processo ensino-aprendizagem.

O projeto funciona através da articulação da Secretaria de Educação a Distância (SEED) do MEC, juntamente com o Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica (DITEC), em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais.
Tem como objetivos:
· Melhorar a qualidade do processo de ensino e aprendizagem;
· Possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias de informação pelas escolas;
· Propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico;
· Educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida.
Como diretrizes para a efetivação da implementação do projeto temos:
· Subordinar a introdução da informática nas escolas e objetivos educacionais estabelecidos pelos setores competentes;
· Promover o desenvolvimento de infra-estrutura de suporte técnico de informática no sistema de ensino público;
· Estimular a interligação de computadores nas escolas públicas para possibilitar a formação de uma ampla rede de comunicações vinculada à educação;
· Fomentar a mudança de cultura no sistema público de ensino fundamental e médio de forma torná-lo apto a preparar cidadãos capazes de interagir numa sociedade cada vez mais desenvolvida tecnologicamente.

O programa proporcionou a distribuição desde 1998, de computadores para diversas escolas públicas e formou professores para que se tornassem multiplicadores do uso de tecnologia nas escolas juntamente com os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), que são unidades descentralizadas que apóiam a informatização das escolas participantes do PROINFO auxiliando na implantação de novas tecnologias, além de fornecer suporte técnico. O projeto também conta com a colaboração técnica do Centro Experimental de Tecnologia Educacional (CETE), que está vinculado ao Ministério da Educação e que tem como objetivo de apoiar o processo de incorporação de novas tecnologias pelas escolas e difundir experiências nesse campo, além de ser o intermediário entre o governo brasileiro e as instituições internacionais que financiam as iniciativas e experimentos relacionados com a tecnologia educacional e a educação à distância.

Além disso, criou um curso de especialização em Informática na Educação para a formação dos multiplicadores para que estes atuem nos NTEs de todo país. Foram selecionados professores com capacitação em informática e educação, que receberam treinamentos para se tornarem professores multiplicadores. Estes professores serão o elo entre o projeto e os professores das escolas envolvidas capacitando-os a atuarem nas salas de aula e buscando novas soluções para o uso das novas tecnologias.

Como metas o PROINFO pretende:
· Atender 7,5 milhões de alunos em 6 mil escolas;
· Implantar 200 Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE);
· Capacitar 1 mil professores multiplicadores formados em cursos de pós-graduação lato sensu, realizados em parceria com universidades;
· Capacitar 25 mil professores das escolas para trabalhar com recursos de telemática em sala de aula;
· Formar 6,6 mil técnicos de suporte às escolas e NTEs, especializados em hardware e software;
· Instalar 105 mil computadores: 100 mil destinados às escolas públicas selecionadas e 5 mil nos NTEs.
Algumas metas já foram atingidas e até superadas. Até este ano já foram capacitados cerca de 80 mil profissionais.
Vários projetos educacionais dos Governos foram fracassados por isso cabe pensarmos como o PROINFO terá sucesso.
As diretrizes do PROINFO pautam a avaliação permanente do Programa através da Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do MEC – SEDAIE, que analisa os seguintes fatores:
· Repetência e evasão;
· Habilidades de leitura e escrita
· Compreensão de conceitos abstratos
· Facilidade na solução de problemas
· Utilização intensiva de informação de diversas fontes
· Desenvolvimento de habilidades para trabalho em equipe
· Implementação de educação personalizada
· Acesso à tecnologia por alunos de classes sócio-econômicas menos favorecidas
· Desenvolvimento profissional e valorização do professor.
Este Program em se trantando de TICs nas escolas é o que está mais próximo da realidade, principalmente das escolas públicas, e o que poderá ser realizado dentro dos seus objetivos é a meta das próximas pesquisas.

Dizer que o Brasil é um país diversificado devido a sua formação ter recebido influências de várias culturas diferentes, pela sua imensidão cada região brasileira acaba por possuir culturas distintas. Esta diversidade social cultural e econômica, e consequentemente o fato da integração da sociedade brasileira se tornar difícil e cada vez mais acentuada desigualdade, é bater na mesma tecla, e se não depende de cada um de nós educadores resolver o que parece um impasse, que então se faça o melhor com o que se pode fazer na educação com a realidade e peculiaridade de cada região, de cada escola. Permanecer no âmbito das análises e críticas é deixar um tempo precioso passar sem ter feito nada.

Dessa forma a proposta de abordar o uso das TICs na educação será amplo e irrestrito com o propósito de abrir caminhos diversos para que a educação em qualquer canto deste país não fique tão marginalizada e alheia ao que há de mais moderno na pedagogia. E que cada escola, cada educador faça o que sempre fez: o melhor para seu aluno com os recursos de que dispõe, uma vez que o propósito deste espaço não é ser um espaço apenas político, mas um canal de alternativas para o sucesso da educação: educadores e educandos.


Sites Recomendados
Brasil Escola
brasilescola.com/computacao/sociedade-informacao-no-brasil-inclusao-digital-a.htm
Secretaria de Educação a Distância
Tudo em Foco
MEC-E-Proinfo – Tudo sobre MEC e Proinfo
EaD – Ensino Superior –Cursos e Faculdades com estudo á distância
MEC-E-PROINFO
EaD – SENASP
http://www.tudoemfoco.com.br/ead-senasp.html
EaD – UFMS
e outros sites relacionados

domingo, 1 de janeiro de 2012

Urbanização do Brasil

Urbanização do Brasil
Página 3 Pedagogia & Comunicação


O processo de urbanização no Brasil vincula-se a transformações sociais que vêm mobilizando a população dos espaços rurais e incorporando-a à economia urbana, bem como aos padrões de sociabilidade e cultura da cidade. A inserção no mercado de trabalho capitalista e a busca por estratégias de sobrevivência e mobilidade social implicam na instalação em centros urbanos e em uma mobilidade espacial constantemente reiterada, que se desenrola no espaço da cidade ou tem nela sua base principal.

A maioria dos brasileiros vivem em cidades. Isso significa que pouco resta da sociedade rural que caracterizava o país nos anos 1940, quando cerca de 70% da população brasileira morava no campo.


São Paulo: a maior metrópole da América do Sul

O processo de urbanização no Brasil difere do europeu pela rapidez de seu crescimento. Ao passo em que na Europa esse processo começou no século 18, impulsionado pela Revolução Industrial, em nosso país ele só se acentuou a partir de 1950, com a intensificação da industrialização.

O êxodo rural aumentou na década de 70 do século 20, com a cidade de São Paulo assumindo a posição de principal pólo de atração. Por conta desse crescimento descontrolado nos últimos 30 anos, 40 municípios que envolvem a capital paulista estão fisicamente unidos, formando uma mancha demográfica chamada conurbação.

Favelização e outros problemas da urbanização
Ao crescimento e proliferação das favelas em quantidade e em população, eventualmente associado à transferência da população local de moradias legalizadas para conjuntos urbanos irregulares, dá-se o nome de favelização. Cabe notar, no entanto, que a definição de "favelização" depende da própria definição do fenômeno conhecido como favela: se este for considerado apenas como uma área urbana desenvolvida a partir de invasão de terrenos particulares, o termo "favelização" passaria a indicar um aumento da irregularidade na propriedade do solo urbano, mas não indica necessariamente a qualidade de tais moradias. Se, no entanto, o termo "favela" for entendido como qualquer tecido urbano que, independente de sua condição fundiária, apresenta condições precárias de qualidade de vida, a favelização corresponderia, portanto, a uma diminuição generalizada da qualidade de vida urbana.

A urbanização desordenada, que pega os municípios despreparados para atender às necessidades básicas dos migrantes, causa uma série de problemas sociais e ambientais. Dentre eles destacam-se o desemprego, a criminalidade, a favelização e a poluição do ar e da água. Em todo o mundo mais de 1 bilhão de pessoas vivem em favelas e áreas invadidas.

Histórico da urbanização brasileira


Cidade do Rio de Janeiro nos dias de hoje

Na segunda metade do século 19, a cafeicultura - que transformou definitivamente o Sudeste na principal região econômica do país - ajudou a promover a urbanização do Rio de Janeiro e de São Paulo e deu início a um pequeno processo de industrialização no país.

Foi somente durantes os governos de Getúlio Vargas (1930-1945) que se promoveram as primeiras medidas para se industrializar significativamente o país, o que deslocaria o eixo populacional do país do campo para a cidade. A implantação da indústria automobilística no governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960) deu novo impulso ao processo.

Vemos que a característica exportadora da agricultura brasileira originou consigo uma onda de desenvolvimento também para as incipientes cidades. À medida que a exportação de café aumenta, a receita aumenta, possibilitando ao governo estadual empreendimentos para a agricultura, que favorecem também o desenvolvimento industrial, facilitando, inclusive, a imigração” (para que fossem ocupados postos na indústria e também em algumas lavouras especificas), sem contar, ainda, a construção de estradas de ferro. É na dependência das lavouras, como já citamos anteriormente, que as cidades crescem e se desenvolvem. Instalam-se bancos, para financiar os cafezais, necessita-se também de produção para a nova sociedade, voltada para o mercado interno. A industrialização é acelerada pelo êxodo rural que se torna mais intenso, como já citado, a partir da década de 1930, baseado, principalmente, por dois fatores:

1. aumento da produtividade do trabalhador e
2. integração daagropecuária à indústria

Indústria e cidade

As cidades ofereciam oportunidades de trabalho e de melhoria da qualidade de vida, atraindo a população do campo, onde novas técnicas agrícolas e a mecanização da agricultura tornavam cada vez menor a necessidade de mão de obra.


Paróquia de Nossa Senhora Assunção e São Paulo
(Catedral da Sé), em 1860
A aceleração da urbanização no Brasil é intensificada no governo de Getúlio Vargas, cujas ações políticas visavam à modernização do país com medidas sociais e econômicas, baseadas, principalmente, em maciços investimentos na industrialização. Junte-se a isso a fase da explosão demográfica, entre os anos de 1940 a 1970. Tais processos aliados intensificaram o ritmo de crescimento urbano. Só para se ter uma idéia da rápida urbanização, no sentido histórico, em 1860, São Paulo ainda era uma cidade modesta, com 15.200 habitantes, dos quais 46% ainda viviam na região rural do município; diferente da cidade do Rio de Janeiro, com agricultura nos municípios circunvizinhos. Uma das características marcantes da urbanização brasileira é a chamada macrocefalia, ou seja, o crescimento acelerado dos grandes centros urbanos e a diminuição progressiva da população relativa das pequenas cidades.


Rua da Glória, São Paulo, em 1860
Além disso, existia, principalmente nesse momento de explosão demográfica, uma grande falácia na mente das pessoas de outras regiões que a cidade grande poderia gerar melhor condição de emprego e renda para todos. Temos, dessa forma, uma decepção e conseqüente conformação com a situação de exclusão. Como nos demais países da América Latina, o crescimento demográfico não foi acompanhado do correspondente crescimento econômico. Não houve, por exemplo, um processo simultâneo de desenvolvimento e geração de empregos e de mudanças estruturais para absorver os contingentes da população e a ausência de reformas sociais, tanto no campo, quanto na cidade tem agravado os problemas destas últimas, expandindo suas mazelas até mesmo para aquelas de pequeno porte. A rapidez com que as cidades se formaram e cresceram tornaram a vida cada vez mais difícil e selvagem no âmbito social. Na segunda metade do século XX, o número de pessoas nos centros urbanos mais que duplicou e, em decorrência disso, as demandas por infra-estrutura, moradia, transporte, também cresceram consideravelmente, muito mais a que a capacidade atual das cidades atenderem-nas. As cidades multiplicaram-se de forma nunca ocorrida anteriormente, em número, tamanho da população áreas ocupadas, e complexidade dos impactos sobre os locais onde elas vieram a se assentar. Nessas condições, encontramos campo para a discussão da viabilidade dessas cidades que são verdadeiros contínuos de terra ocupada por bolsões cada vez maiores de pobreza.

A industrialização teve continuidade durante cerca de 15 anos do Regime militar (1964-1985), o qual procurou atrair investimentos estrangeiros para o país, ao mesmo tempo que fez o Estado assumir atividades empresariais. Sendo uma decorrência da industrialização, a urbanização do país se deu nesse período histórico breve e recente.

População urbana

Desse modo, se em 1940, a população urbana brasileira se compunha de 31,2% do total dos habitantes do país, esse percentual cresceu aceleradamente: em 1970, mais da metade dos brasileiros já viviam nas cidades (55,9%). De acordo com o censo de 2000, a população brasileira é agora majoritariamente urbana (81,2%).

O país, entretanto, sempre foi uma terra de contrastes e, nesse aspecto, também não ocorrerá uma exceção: a urbanização do país não se distribui igualitariamente por todo o território nacional. Muito pelo contrário, ela se concentra na Região Sudeste, formada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Região Sudeste

Apesar destes quatro Estados ocuparem somente 10% de nosso território, neles se encontram cerca de 40% da população nacional: são aproximadamente 72 milhões de habitantes, 90% dos quais vivem em cidades.

É também no Sudeste que se encontram três das cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), bem como 50% das cidades com população entre 500 mil e 1 milhão de habitantes.

As sucessivas crises econômicas que o país conheceu nas últimas duas décadas fez seu ritmo de crescimento em geral diminuir e com isso o fluxo migratório para o Sudeste se reduziu e continua em declínio.

Região Centro-Oeste

A segunda região de maior população urbana no país é a Centro-Oeste, onde 89% dos habitantes vivem em cidades.

A urbanização dessa região é ainda mais recente e se explica pela criação de Brasília, bem como de uma explosão do agronegócio.

A agropecuária impulsionou a urbanização do Centro-Oeste, cujas cidades apresentam atividades econômicas essencialmente de caráter agro-industrial.



Região Sul

A região Sul, apesar de contar com o terceiro maior contingente populacional do país - cerca de 25 milhões de habitantes - e uma economia vigorosa, também baseada na agropecuária - apresenta um índice mais baixo de urbanização. Isso se explica devido ao modo como as atividades econômicas se desenvolveram na região.

A pequena propriedade e o trabalho familiar foram as características essenciais do modo de produção agrícola na região, o que ajudou a fixar as populações no campo. Esse modelo, entretanto, está passando por mudanças e o êxodo rural já se tornou uma realidade também nessa região.

Região Norte

A região Norte tem o menor número de municípios do país e cerca de 15 milhões de habitantes. No entanto, é a região com o menor percentual de população urbana no país (62%).

Além de ter-se inserido tardiamente na dinâmica econômica nacional, a região tem sua peculiaridade geográfica - a floresta Amazônica - que representa um obstáculo ao êxodo rural. Ainda assim, Manaus (AM) e Belém (PA) têm população superior a 1 milhão de habitantes.

Região Nordeste

Com cerca de 50 milhões de habitantes e peculiaridades geográficas como as secas, nunca efetivamente combatidas desde os tempos do Império, o Nordeste é a região brasileira com o maior número de municípios (1.792), mas somente 65% de sua população é urbana. Só recentemente as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza se tornaram pólos industriais.

Outras fontes: José Roberto Lapietra Diogo, Bacharel em AdministraçãoAche os cursos e faculdades ideais para você. É fácil e rápido. Rural

Cidade: Lugar e Geografia da Existência

Cidade: Lugar e Geografia da Existência·
Maria Adélia Aparecida de Souza
Professora Titular
Cidade hoje, sinônimo de medo, de desesperança? As cidades gritam de dor. A democracia urbana está quase morta.
NIETZSCHE parece nos influenciar:
Oh Zaratrusta, eis a grande cidade: você aí não tem nada que procurar mas tem tudo a perder.
...
Aqui todos os grandes sentimentos apodrecem: apenas têm o direito de fazer barulho os pequenos sentimentos ao ruído seco das matracas!
Mas, algo de extremamente grave é sem dúvida nenhuma a insegurança do conhecimento atual sobre a cidade o que, aliás, pode ser colocado como uma das causas principais da crise urbana.
Mas, que contribuição a Geografia traz para a compreensão desse importante fato contemporâneo?
A Geografia urbana precisa se renovar, revisitar seus conceitos, fazer face ao mundo novo. Basta examinar a liberdade com que se confundem, em muitos dos textos produzidos dois conceitos essencialmente distintos: o urbano e a cidade.
Dispensável deixar explicitado aqui a associação conceitual entre cidade e urbano, mas é fundamental distinguí-los: a cidade é o concreto, o conjunto de redes, enfim a materialidade visível do urbano enquanto que este é o abstrato, porém o que dá sentido e natureza a cidade. (SANTOS, 1992: 241). 2
Tenho proposto que, construir cidades é o maior negócio do século. Ousei mesmo elaborar uma pequena teoria para a explicação da sua produção! (SOUZA, 1994). Mas, o nosso desafio é a busca permanente da compreensão do
espaço banal de todos os homens, não perder no urbano e na cidade, a idéia de totalidade.
Como pensar a cidade, em suas múltiplas manifestações e trazer uma contribuição para este importante Simpósio? Como distinguir a cidade nesta contemporaneidade? Muitos estão tranqüilos com as propostas "novas " da
cidade global. Mas ela não é essencialmente geográfica. Certamente os conceitos e teorias disponíveis na geografia não nos conduziriam a isto, se assumida a idéia do espaço como totalidade! Não é sem razão que é a economia quem nos avança esse conceito!
Não citarei aqui, para não omitir nenhum deles, a quantidade de obras, teses, artigos que a geografia brasileira produziu sobre a cidade, o urbano, a urbanização, a rede urbana, o sistema urbano. Contribuições marcantes para a compreensão desses processos e fenômenos em nosso país. Muitos desses autores, personalidades importantes da nossa comunidade, estão aqui presentes.
Mas qual a dificuldade que encontramos? Exatamente aquela de colocar a cidade, em qualquer de suas dimensões, no movimento do mundo. Isto é o que o conceito de cidade global parece responder. Mas ele não se sustenta diante da totalidade, do espaço banal. A cidade global, a cidade mundial é o Estado ou a empresa que dirigem de forma livre a circulação, o trabalho e o mercado.
Nesta perspectiva de raciocínio, julgo pertinente que a geografia urbana reflita sobre a proposta da
epistemologia dos confins (TAGLIAGAMBE, 1997), da nova racionalidade, da noção de limite.
O que isto significa? Inspirando-se no filósofo americano Charles Sanders Peirce que desde 1868 já estabelecia uma profunda relação e um enorme nexo entre a idéia de
verdade e aquela de comunidade. Isto significa que hoje, mais 3
do que nunca (e isto é revelado pela cidade), temos necessariamente de nos confrontar com o problema da construção de uma racionalidade coletiva, um pacto novo de ampliação de valores, ideais, normas e critérios comuns aos indivíduos que pertençam a uma determinada comunidade. Para o autor, o indivíduo racional não passa de uma ficção, afirmação que faz diante de uma infinidade de evidências empíricas. Uma comunidade pode conseguir bons resultados ativando um efetivo processo de intercâmbio entre os indivíduos que a compõem. Esta é uma idéia que se opõe fundamentalmente àquela de sujeito solitário, que predomina na compreensão do processo urbano e da vida na cidade. Esse paradoxo entre a solidão individual e a comunidade, revela um aspecto interessante a ser retomado no estudo da cidade. Esta questão epistemológica, no limite de uma racionalidade que se esgota, face as características do mundo novo é revelada no espaço, pelas normas, objetos, ritmos. Projetos imensos para uma nova geografia urbana que se impõe nesta idéia de uma epistemologia dos confins. Este período histórico revoluciona a velha noção de realidade: a ciência sempre vem precisando enfrentar fenômenos que se encontram em
zonas de confins onde forma e estrutura podem se dissolver. O desafio, nesta epistemologia que se impõe é aquele de pensar forma e evento, tradicionalmente vistos como separados e contrapostos. Aliás, SANTOS (1996) já nos introduz neste tipo de reflexão, discutindo a natureza do espaço. Um evento é o resultado de um feixe de vetores, conduzido por um processo, levando uma nova função ao meio preexistente. Mas o evento só é identificável quando ele é percebido, isto é, quando se perfaz e se completa. E o evento somente se completa quando integrado no meio. Somente aí há o evento. (idem: 76-77).
O que é a cidade?
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Tratarei nesta conferência da cidade, uma dimensão importante do urbano.
A cidade é uma obra humana. Ela é um mundo de objetos, produzidos segundo procedimentos, determinados por materialidades e regidos por intencionalidades precisas. A cidade é uma intencionalidade. Isto, portanto, quer dizer que a cidade é uma negação da natureza, daquilo que é físico.
Isto se dá pela técnica. A técnica é antes de tudo um saber prático, que advém do trabalho. Aliás,
tekné em grego, significa trabalho. A cidade é o lugar da acumulação técnica.
Aí surge um paradoxo interessante de ser estudado: lugar da coexistência e da liberdade, a cidade é ao mesmo tempo, pelo fato técnico, o lugar da vigilância (as máquinas fotográficas do trânsito), da identificação, das redes (a telemática e as redes de fibras óticas e o controle do território, que estudam meus alunos Ricardo Castilho e Rubens de Toledo Junior), da exclusão, da disciplina (os panópticos eletrônicos, que estuda meu aluno Renato Balbin Nunes e das normas e do direito na cidade, que estuda meu aluno Ricardo Mendes).
A prevalência da técnica deshistoriciza e desterritorializa a cidade. As maravilhosas pranchas de Jürg Muller intituladas
Urban Changing demonstram claramente isto.
Mas, entre a técnica que dá ritmo ao tempo e acelera a duração e o fato cultural se interpõe o sujeito, corpo e alma, imaginação sensível. A obra de Walter Benjamin nos mostra as diversas possibilidades oferecidas pela cidade: a possibilidade técnica e a sensibilidade.
De qualquer maneira não há como não considerar a cidade como lugar da co-presença, lugar da coexistência (SOUZA, 1997), escancaradamente manifesta pelo espaço geográfico, pelas geografias desiguais da existência expostas na cidade. Na cidade, o espaço banal é assintosamente aviltado. 5
A cidade é para HEGEL uma etapa histórica, constituindo, depois da organização da família, o momento da sociedade civil, onde se afrontam os interesses egoístas, mas onde opera uma racionalidade anunciando a vinda do Estado como idéia de moralidade.
Não apenas por abrigar a maior população do planeta é que a cidade, lugar desta geografia da existência faz sentido, mas pelo que ela efetivamente significa na realização do projeto humano nestes últimos séculos e, muito especialmente neste século XX.
O conhecimento sobre a cidade.
O conhecimento sobre a cidade está em crise. O balanço desse conhecimento é decepcionante.
A sociologia contemporânea ainda elabora a partir de construções conceituais velhas, que não mais se ajustam ao mundo novo. Muito se produz, porém muito pouco é acrescentado do ponto de vista sociológico, para o conhecimento de um mundo mutante. Raros são os sociólogos que se aventuram a uma explicação contemporânea.
A fragilidade do pensamento econômico é também enorme. Seu olhar vê a cidade apenas como um elemento constituinte de uma rede utilizável, ignorando completamente as suas formas, sua complexidade, seus habitantes. Para a economia não existem cidadãos, mas consumidores.
Por outro lado, o pensamento social, negligencia o espaço ou mesmo a cidade: limita seu campo de intervenção à distribuição da renda, ao trabalho, ao tempo. Alguns ainda se incomodam com a pobreza pois ela pode ser perigosa para a
ordem urbana.
A ciência política, por seu lado, concentrando-se nos fenômenos regionais ou nas questões internacionais, negligência a cidade. E isto vem de longe... Para 6
MACHIAVEL, a cidade são homens a serem governados, arsenais a serem lotados, muralhas a serem fortificadas e defendidas em relação a não importa que instrumento do poder.
Eis o que explica a fragilidade das cidades, todas vítimas de agressões econômicas e financeiras, todas ameaçadas pela evolução das técnicas, todas feridas pelas práticas arquitetônicas e opções de um urbanismo servil mais ao lucro do que a cultura.
(ANSAY, Pierre e SCHOONBRODT, 1989 :16).
Esta ausência da cidade se descobre, ainda, na ecologia e na filosofia. Ferindo a ecologia, a cidade ainda é assumida como o lugar e a causa de um super consumo de energia e do desenvolvimento de uma agricultura abusiva em agrotóxicos. A cidade é sempre vista como um fracasso ecológico. O agravante ainda desta percepção está na ideologia do
small is beatifull, estando portanto a grande cidade fatalmente condenada.
A filosofia por seu lado, não desenvolve conceitos diferentes daqueles da sociologia ou da psicologia.
A filosofia da cidade está por ser construída se a cidade - antes intuitivamente - aparece como necessidade. (idem: 17).
Quem pode fazer crer que a cidade é uma necessidade do homem enquanto ser individual, autônomo, enquanto ser social? Qual é o sentido da cidade, além das respostas que ela pode trazer às questões demográficas (como alojar de maneira mais eficaz uma população crescente) ou econômicas (como assegurar de uma outra maneira o crescimento da indústria de massa e as vendas?).
(Ibidem: 17).
Aqui reside um paradoxo extremamente interessante de ser examinado: a liberdade que oferece a cidade, permite a todo instante, criar e recriar laços sociais, abandonar traços culturais velhos e assumir conteúdos culturais novos.
A Cidade e a Liberdade
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Para WEBER, a grande cidade moderna é o lugar e o momento do encontro entre técnica e cultura.
No entanto, a cidade gera um processo, um grau de liberdade incompatível com o nível de manipulação que a sociedade industrial e informacional contemporânea precisam para sobreviver. E, é por isso que essa sociedade destrói a cidade. Mas a cidade não produz apenas a liberdade. Ela instaura redes de ação e de resistência contra a falta de liberdade, contra a desigualdade. O espaço na cidade denuncia escancaradamente esses processos. O espaço é mesmo condição desses processos. E, são exatamente essas redes que colocam em xeque todos os mecanismos de rigidez das hierarquias sociais, os processos de manipulação cultural, gerando fantásticos processos de solidariedade, de igualdade, de fraternidade, de convivialidade. Vá a uma praça pública a uma rua da periferia das grandes cidades brasileiras e descubra isto !
Aliás, a cidade de Kant é concebida como um equipamento coletivo para a humanidade livre!
Mas o embate com uma sociedade fundada no consumo, resistente a todo e qualquer processo de mudança, a toda pressão individual e solitária é o emblema deste nosso tempo. E este é o trunfo dessa Geografia da existência. Nesta sociedade apenas a ação coletiva pode ter êxito. Os múltiplos exemplos dados pelos pobres que habitam as grandes cidades são extremamente elucidativos. É preciso estudá-los.
No entanto é preciso muita atenção a um outro paradoxo: a cidade, sendo o lugar por excelência da liberdade individual parece ser incompatível com a prática da soberania popular: esta, suprimindo a anterior pode tender a um modelo totalitário. Mas, o modelo totalitário é incompatível com a cidade - lugar da diversidade. WITTGENSTEIN (1961) aprofundou este aspecto com seus estudos, de extrema riqueza, sobre jogos de linguagem. Perguntando a um urbanista e a um poeta, para que falassem sobre a cidade diz o autor que o 8
primeiro faz um discurso sobre planos urbanísticos e o segundo discorrerá sobre suas impressões após um belo passeio pelos lugares da cidade. Eis a diversidade na cidade e é ela quem define a quotidianeidade. Com seus estudos, esse autor renovou os estudos de filosofia sobre a cidade.
A Geografia da Existência.
Esta Geografia da Existência que defendo aqui está baseada na crença de que é a cidade, exclusivamente, quem pode gerar formas significantes da sociedade civil. A cidade é, portanto, a condição espacial da realização dos valores de liberdade, de igualdade, de fraternidade, de solidariedade. A cidade produz o estímulo intelectual. A cidade produz a inteligência.
Esta Geografia é muito inspirada em SARTRE que, muito embora tenha produzido sua obra centrada no mundo vivido urbano, ele nada fala sobre a cidade. Pode-se, no entanto, na
Crítica a Razão Dialética interpretar a cidade como a totalização operada em torno da questão da sobrevivência. Para este autor a existência é sinônimo de liberdade, na sua perspectiva filosófica que funda o existencialismo.
A cidade é uma relação complexa que ainda precisa ser definida, entre as formas físicas (seu sítio, seu traçado, o gabarito das construções, seu tamanho) e as relações das forças que atravessam sua vida interior e que fixam as relações com o exterior; estas relações é quem definem as relações de dominação e de sujeição. São elas que definem os limites da existência ou não de urbanidade, atributo quase perdido da vida citadina contemporânea. É o desequilíbrio dessas relações que implicam na perda de urbanidade.
Por isso a dimensão mais importante da natureza da cidade é aquela da coexistência. E isto significa, desde logo, assumir a cidade como o lugar do
debate. É neste sentido que o urbanismo racional-funcionalista que impregnou 9
as cidades deste século, falhou: ao separar as funções da cidade por zona, feriu este princípio da coexistência que é
o debate, destruindo, portanto a urbanidade.
Reconstruir a urbanidade é antes de tudo assumir a complexidade gerada pela coexistência de grupos, de culturas, de línguas, de religiões, de idades, de atividades. Esta coexistência é o fundamento da inteligência e, por conseguinte da liberdade. O espaço é o conteúdo desse choque permanente da diversidade.
A cidade é copresença densa do complexo tecnico-científico, das instâncias e dos campos da cultura, da política e da produção econômica.
A cidade é o lugar do encontro da diferença, da liberdade, da igualdade.
A cidade é o lugar, a geografia da existência.
Mas, como dizia SARTRE, as cidades da América não são feitas para envelhecer. Será essa a nossa chance, a nossa possibilidade de mudança ?
Estará nesse mundo mutante o fundamento da nossa utopia ?
Isto é o que nos estimula a prosseguir.
Muito obrigada.
BIBLIOGRAFIA
ANSAY, Pierre e SCHOONBRODT.
PENSER LA VILLE. Choix de Textes Philosophiques. Bruxelas. AAM Editions, 1989.
SANTOS, Milton.
A Cidade e o Urbano como Espaço-Tempo. CIDADE & HISTÓRIA - Modernização das Cidades Brasileiras nos Séculos XIX e XX. UFBA - FAU/MAU. Salvador, 1992: 241-244.
SANTOS, Milton.
A NATUREZA DO ESPAÇO. Técnica e Tempo. Razão e emoção. São Paulo. HUCITEC, 1996.
SOUZA, Maria Adélia Aparecida de.
A IDENTIDADE DA METRÓPOLE. O Processo de Verticalização em São Paulo. São Paulo. HUCITEC, 1994. 10
SOUZA, Maria Adélia Aparecida.
O LUGAR DE TODO O MUNDO - A Geografia da Solidariedade. Texto apresentado em Seminário na Bahia, em junho de 1997, organizado pelo Programa de Pós-Graduação e pelo Departamento de Geografia da UFBA.
TAGLIAGAMBE, Silvano.
EPISTEMOLOGIA DEL CONFINE. Col. Teoria. Milão. Ed. Il Saggiatore, 1997.
WITTGENSTEIN, Ludwig.
Investigations Philosophiques .Ed. Gallimard. Paris, 1961.